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Sarcoptes scabiei

Escabiose ou Sarna ou Curuba


Autores:

Ac. Claudio Roberto Scolari Pilon Filho

Prof.Fabio Barbieri

Prof. Luís Marcelo Aranha Camargo

 

INTRODUÇÃO

A escabiose é uma doença causada por um ácaro chamado Sarcoptes scabiei que causa prurido intenso na pele, sendo conhecida comumente como sarna. Este ácaro é muito pequeno e só pode ser visto com auxílio de um microscópio. Esses parasitos não conseguem saltar nem voar e na maioria das vezes não conseguem sobreviver mais do que três dias fora do organismo. A sarna é uma dermatite muito comum e altamente contagiosa, sendo uma endemia que ocorre em 9% da população brasileira. Os locais de maior aglomeração humana são os locais onde se observam as maiores prevalências (guerras, lugares de pouca higiene, asilos, casas de repouso, hospitais, creches e em populações promíscuas). Há indícios que ela afeta os seres humanos há mais de 2.500 anos e foi uma das primeiras doenças humanas que teve sua causa conhecida.

ETIOLOGIA

O Sarcoptes scabiei é um artrópode, da subclasse Acari, ordem Acariforme, subordem Astigmata ou Sarcoptiformes e família Sarcoptidae. A maioria dos ácaros encontram-se na ordem Acariforme,onde se encontram os ácaros sem estigma que fazem respiração cutânea. A família Sarcoptidae reúne os ácaros pequenos, que quase não podem ser vistos a olho nu, possuem corpo globoso e pernas muito curtas.

O agente etiológico da sarna tem um corpo mole, esbranquiçado, medindo cerca de 0,4mm de comprimento por 0,3 mm de largura, sendo as fêmeas maiores que os machos. Possuem pernas curtas e sem garras, certo número de cerdas finas e flexíveis no tegumento, espinhos curtos e robustos, bem como escamas de forma triangular que são características do gênero.

Com o passar dos séculos o S. scabiei foi se adaptando a certos hospedeiros de forma que surgiram diversas variedades de sua espécie, sendo as principais: hominis, canis e suis. Em geral essas variedades não são transmitidas de uma espécie de hospedeiro para outra, podendo haver casos de infecção acidental, que tem um quadro clínico mais brando.

HOSPEDEIRO E VIA DE TRANSMISSÃO

Vários ácaros são responsáveis por sarnas em animais, porém o S. scabiei var. hominis é a única espécie que acomete o ser humano, causando a sarna sarcóptica ou escabiose. A via de transmissão mais relevante ocorre através do contato íntimo e até mesmo por via sexual com indivíduos portadores do ectoparasito. Alguns autores ressaltam a importância de animais domésticos como o cão, porém este é portador de outra variante que não oferece risco ao homem.

Uma importante via de contágio é o uso de fômites (roupas de cama, toalhas) em comum com os portadores da doença, bem como dividir a mesma moradia com um doente, devido ao fato do  ácaro sobreviver alguns dias fora do organismo.

CICLO BIOLÓGICO

O hospedeiro é infestado pelas fêmeas que já copularam e penetram na epiderme, cavando as galerias ou túneis, avançando cerca de 2mm/dia e deixando atrás de si um rastro de ovos. Esta penetração ocorre principalmente à noite (quando o paciente aquece o corpo na cama). Os ovos medem cerca de 180x190μm e as fêmeas ovipõem três a quatro ovos por dia, num total de 40 a 50 durante a sua vida (que dura em média três a quatro semanas). Após três a quatro dias os ovos eclodem as “larvas haxápodas”. Estas permanecem nas galerias ou saem para a superfície da pele, onde ficam nas crostas que recobrem as galerias. Em um desses pontos, elas se alimentam e sofrem mudas após mais 3 a 4 dias, e se transformam em ninfas octópodes. Decorridos outros três a quatro dias, ocorrem novas mudas: uma só para os machos; duas para as fêmeas, que já poderão ser fecundadas no segundo estágio ninfal.

O ciclo biológico , de ovo a ovo, dura em média de 11 a 20 dias e durante todo esse período, em qualquer fase do ciclo, os ácaros podem deixar os túneis da pele, onde se encontram, e abrir novas galerias. 

 


1-    Ninfas octópodes se desenvolvem em fêmeas férteis;

2-    Fêmea ovipõe;

3-    Ovos eclodem “larvas haxápodas”;

4-    Larvas evoluem para ninfas.

ASPECTOS CLÍNICOS

O período de incubação varia de cinco a 15 dias, em função da sensibilização crescente da pele aos parasitos e seus produtos. O principal sintoma é o prurido intenso, com recrudescência noturna ou vespertina. O ácaro perfura a epiderme à noite, libera produtos de seu metabolismo além de sua saliva. Nessas horas os sintomas são mais intensos. O Sarcoptes scabiei localiza-se preferencialmente nas pregas interditais, na face anterior dos punhos e dos cotovelos, nas paredes das axilas, nos tornozelos e nos pés, podendo estender-se às virilhas, nádegas, genitais externos e seios. Muitos autores têm registrado que a cabeça, dorso e pescoço geralmente são poupados, mas estudos recentes mostram que a escabiose nestes locais é de difícil diagnóstico e pode estar mascarada.

Uma característica da sarna é a presença de trajetos escuros na pele (devido a sujeira e dejetos que os parasitos acumulam nas galerias epidérmicas) apresentando uma pequena pápula no fim desse trajeto, onde se encontram os ácaros. A presença de lesões constituídas por escoriações mais ou menos generalizadas com pequenas vesículas e pápulas pruriginosas, pústulas no tórax e abdômen  também podem ocorrer.

O prurido é o principal sintoma, muitas vezes simulando um quadro urticariforme, devido ao efeito mecânico do ácaro e à resposta imune do hospedeiro aos produtos metabólicos e saliva do Sarcoptes spp. O prurido persiste e pode aumentar, até tornar-se insuportável, mesmo após o início do tratamento, podendo persistir por semanas após a cura. Indivíduos que sofrem reinfecção, devido a reação de hipersensibilidade, têm o período de incubação curto e a sintomatologia mais exacerbada. O prurido intenso constitui um risco, pois pode lesionar a pele gerando escoriações suscetíveis a infecção bacteriana secundária, podendo agravar o quadro.

Dentre as formas clínicas que o paciente com a escabiose pode apresentar, a sarna norueguesa é uma das mais importantes por ser altamente contagiosa, acometendo pacientes imunodeprimidos, onde as lesões são crostosas e exuberantes e há grande quantidade de parasitos nas lesões esfoliativas. O prurido é mínimo e as lesões são acompanhadas de hiperqueratose e paraqueratose ( dando lugar as crostas). Localiza-se mais comumente nas palmas das mãos e plantas dos pés, mas pode ser disseminada.

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

O diagnóstico clínico pode ser sugerido pela história da doença, onde deve-se pesquisar a presença de prurido, história familiar da doença, presença de lesões com aspecto de crosta, visualização do rastro do ácaro e vesículas pruriginosas.

O diagnóstico laboratorial pode ser confirmado por dois métodos: o método da fita gomada e o raspado da lesão. O melhor método de demonstração dos parasitos é mediante a aplicação da fita gomada sobre a pele afetada: os ácaros aderem à fita que deverá ser colocada sobre uma lâmina e examinada ao microscópio, com aumento de 10 a 40 X. A opção do raspado pode ser utilizada em pacientes não cooperativos, onde raspa-se profundamente a epiderme no limite das crostas e pele sã com posterior observação microscópica em imersão. A microscopia direta negativa suscita a realização de biópsia da pele, que confirma o diagnóstico através da visualização dos túneis, ácaros, ovos e fezes à microscopia.

Atenção: As informações aqui divulgadas NÃO substituem uma consulta médica. Sempre consulte um médico em caso de dúvidas em diagnósticos e tratamentos.

 

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

O diagnóstico diferencial deve ser feito com todas as dermatoses que cursam com prurido, incluindo dermatite atópica, dermatite de contato, prurigo, urticária papular, pioderma e outras afecções crônicas.

TRATAMENTO

A desinfestação das roupas e lençóis de cama é etapa crítica no controle da escabiose. Esses itens devem ser lavados em água quente ou a seco. Recomenda-se submeter o paciente a um banho morno, demorado para amolecer e retirar as crostas. Em seguida, aplicar localmente os medicamentos. O fármaco de primeira escolha é a permetrina a 5% (creme), pela sua elevada eficácia, baixa toxicidade e baixos níveis de resistência do parasito. É aplicada uma única vez a noite. Para as gestantes e lactantes uma boa opção é o enxofre dissolvido em petrolatum, que deve ser aplicado por três noites consecutivas.

Em casos de contaminação bacteriana secundária, pode-se acrescentar permanganato de potássio a água do banho na proporção de 1: 10.000.

O tratamento com ivermectina oral tem sido freqüentemente utilizado pela sua eficácia e comodidade (principalmente na sarna crostosa). Ele tem eficácia nos pacientes comuns e imunodeprimidos. A cura é obtida na dose única de 200µg/kg, para adultos e crianças acima de 5 anos. Recomenda-se novo tratamento após 15 dias. Quanto aos efeitos adversos da ivermectina, foram feitos alguns estudos onde se evidenciou a segurança de seu uso, sendo que nenhum dos efeitos colaterais  foi considerados ameaçador. As principais queixas enquadram-se no padrão do fenômeno de Jarisch-Herxheimer, onde o paciente apresenta febre, mal-estar e artralgia logo após o início do tratamento, melhorando após 48 horas a uma semana.

PREVENÇÃO

A profilaxia da sarna é constituída principalmente pela higiene pessoal e tratamento das pessoas infectadas. Lavar bem as roupas, lençóis, passar ferro e tomar banho quente constituem uma importante prevenção. No caso de contágio, o tratamento simultâneo de toda a família (mesmo os assintomático)  também constitui uma forma de profilaxia da escabiose.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1.REY, L. Bases da Parasitologia Médica. 2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002, p. 344-353.

2.NEVES, D. P. et al. Parasitologia Humana. 11 ed. São Paulo: Atheneu, 2005, p. 423-426.

3.FOCACCIA, R. (ed.). Veronesi: Tratado de Infectologia. 3 ed. São Paulo: Atheneu,2005, p.1888-1890.

http://www.mass.gov/Eeohhs2/docs/dph/cdc/factsheets/scabies_pt.pdf acesso em 16/03/2009

http://www.cdc.gov/ncidod/dpd/parasites/scabies/factsht_scabies.htm acesso em 16/03/2009

 

http://ww2.prefeitura.sp.gov.br//arquivos/secretarias/saude/ass_farmaceutica/0004/alert0201.pdf acesso em : 02 fev. 2009.


(Fonte da imagem inicial: http://www.abdn.ac.uk/zoohons/models/model2.shtml)



 

Comentários  

 
0 #1 robsmeire 01/05/2013 12:34
 

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