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Enterobius vermicularis

 Autores:

Jéssica Fontenele Calixto

Sergio de Almeida Basano

 

 

Introdução

 

Enterobius vermicularis (antigo Oxyuris vermicularis) é um nematelminto da ordem Oxyurida, de origem africana, com registro de sua ocorrência anterior a criação de Constantinopla.

Apresenta dimorfismo sexual, sendo que a fêmea mede cerca de 1 cm e a região posterior é fina e alongada, enquanto o macho é menor, mede de 2 a 5 mm e exibe a região posterior enrolada ventralmente e a ponta romba. Ambos são transparentes, fusiformes, revestidos por uma cutícula branca, brilhante, estriada transversalmente, que se expande ventralmente em duas dilatações, sendo denominadas de asas cefálicas ou cervicais. Além disso, os ovos são embrionados, com comprimento inferior a um milímetro, com superfície viscosa de fácil aderência, possuem uma casca composta de várias camadas e transparente.

O  parasito conhecido, popularmente como “oxiúros” ou “tuchina” causa a enterobíase ou oxiuríase, parasitose intestinal, que tem o ser humano como único hospedeiro (ciclo monoxênico), e o prurido anal como sintoma mais característico.

Das helmintoses humanas, a enterobíase apresenta o parasito de maior poder de infecção, possuindo distribuição mundial, com maior prevalência em países de clima temperado e em crianças de idade escolar entre 5 a 14 anos.

 

Hospedeiros e Vias de Transmissão

 

Enterobius vermicularis tem o  ser humano como hospedeiro único.  A transmissão acontece de três formas:

1. Retroinfecção – migração das larvas que eclodem na região perianal, através do reto e intestino grosso até alcançar o ceco, onde se tornam adultos.

2. Auto-infecção – reinfecção com ovos procedentes do mesmo indivíduo, podendo acontecer por transmissão direta da região perianal para a boca, sendo esta responsável pela cronicidade da doença. Pode ocorrer também, por transmissão indireta através da ingestão de ovos pela da poeira, dos alimentos ou das roupas contaminadas.

3. Heteroinfecção – transmissão de um indivíduo para outro, através da poeira, alimentos, roupas e mão sujas da pessoa contaminada.

 

Os vermes adultos encontram-se na região cecal (ceco e apêndice). Nesse local, após o acasalamento, o macho é eliminado nas fezes e morre. A fêmea fecundada não ovipõe no intestino, e sim na região perianal, estando seus úteros abarrotados de ovos (5.000 a 16.000), tornando-se um “saco de ovos”. Desta forma, elas se desprendem do ceco e migram para reto e ânus, para fazer a ovipostura. Alguns autores dizem que as fêmeas não são capazes de ovipor e que rompimento das mesmas devido a traumatismos é responsável pela eliminação da grande quantidade de ovos.

Os ovos embrionados tornam-se infectantes em 4 a 6 horas na região perianal. Ao serem ingeridos pelo homem, são liberadas as larvas rabditóides no intestino delgado do hospedeiro, as quais se dirigem lentamente para o ceco e raramente para o apêndice. Neste trajeto sofrem duas mudas, e finalmente, no ceco, tornam-se adultas vermes adultos. O ciclo biológico dura de um a dois meses se não ocorrer a reinfecção. Não há ciclo de Loss.

 

 

1- Contaminação Feco-Oral com ovos embrionados, 2- Eclosão de ovos no intestino delgado; 3- Vermes adultos no ceco, 4- fêmeas migram para o reto para eliminação de ovos; 5- Eliminação de ovos embrionados; 6- Reinfecção com larvas oriundas de ovos da região perianal.

 

Aspectos clínicos

Em indivíduos com baixa carga parasitária, geralmente a infecção é assintomática. A enterobíase apresenta como sintoma mais característico o prurido anal, o qual é mais intenso no período noturno, em virtude da movimentação do parasito pela região perianal. A região perianal pode apresentar inflamação com pontos hemorrágicos, pelo ato de coçar ou por hipersensibilidade às secreções do parasito. Podem ocorrer infecções secundárias.

Das manifestações digestivas as mais comuns são náuseas, vômitos, cólicas abdominais, tenesmo, puxo e raramente fezes sanguinolentas, colite crônica (fezes diarréicas, inapetência e anorexia).

Nas mulheres pode ocorrer leucorréia e prurido vulvar devido a migração do parasito para a vagina.

 

Diagnóstico Diferencial

  Outras parasitoses intestinais por helmintos ou protozoários.

 

Dermatites e alergias.

Prurido anal simples.

Vulvovaginites.

 

 Diagnóstico Laboratorial  

Geralmente o diagnóstico é clínico devido: ao prurido anal noturno e, sinais de irritação cutânea perianal em crianças e eosinofilia leve, sem outra causa. No diagnóstico laboratorial o exame de fezes convencional pela técnica de sedimentação espontânea é  pouco eficaz, pois revela somente de 5 a 10% dos casos de parasitismo. Em virtude disso é aconselhável o uso do método de Graham, o qual consiste na colocação de uma fita adesiva transparente na região anal ao amanhecer, antes de o paciente tomar banho ou higienizar-se e evacuar. Depois de retirar o material da pele deve ser devidamente afixado sobre uma lâmina de microscopia e examinada ao microscópio. Caso o exame tenha resultado negativo, deve-se ser repetido de 5 a 6 vezes em dias sucessivos. Além desse método há o de Hall, que se assemelha ao anterior, diferenciando-se somente na troca da fita pelo swab anal.

 

 Atenção: As informações aqui divulgadas NÃO substituem uma consulta médica. Sempre consulte um médico em caso de dúvidas em diagnósticos e tratamentos.

Tratamento

Todas as seguintes drogas são administradas por via oral.

Medicamento

Dose

Efeito colateral

Contra-indicado

Taxa de cura

Pamoato de pirantel*

10mg/Kg

Máx. 1g, repetir o tratamento após 2 semanas

Cefaléia, tonteira, náusea, exantema, vômito e diarréia

Gestantes e menores de 2 anos

80 a 100%

Albendazol

400mg (dose única, repetir após duas semanas)

Leucopenia, alergia, alteração hepática, dor epigástrica e vômito

Pacientes com cirrose e evitar o uso gestantes e em menores de 2 anos

100%

Mebendazol

100mg/2x ao dia durante 3 dias

(dose total de 600mg)

Náusea, vômito, dor epigástrica e tonteira

Gestantes 1º trimestre e lactantes

90% ou mais (aumenta com repetição do esquema terapêutico)

Ivermectina

0,2mg/kg

Leve prurido e tumefação dolorosa dos linfonodos

Gestantes, crianças menores de 5 anos e cautela ao administrar com outros depressores do SNC

85%

Nitazoxanida**

7,5 mg/kg

Diarréia, vômitos, dor abdominal, e cefaléia

Gestantes

95%

*Comunicar ao paciente que a urina e as fezes podem ficar de cor vermelha.

** Nos pacientes geralmente observa-se tonalidade  esverdeada na urina.

Prevenção

 

O ser humano é a única fonte de infecção de Enterobius vermicularis, podendo ser prevenida pelas seguintes medidas:

  • Banho de chuveiro ao acordar, o qual reduz a contaminação dos ovos;
  • Lavagem das mãos após ir ao banheiro, trocar fraldas, antes de comer ou manipular alimentos e depois do ato de se coçar;
  • Manter unhas curtas, principalmente em crianças;
  • Evitar coçar a região anal colocando “macacões” durante a noite;
  • Trocar frequentemente as roupas de dormir, toalhas, lençóis de cama e roupas de íntimas.
  • Dispor de instalações sanitárias adequadas e mantê-las limpas;
  • Eliminar as fontes de infecção pelo tratamento das pessoas parasitadas e repetir o medicamento duas ou três vezes com intervalo de 20 dias, até que todos sejam desparasitados, principalmente em ambientes coletivos (creches, escolas e outros).

 

Referências Bibliográficas

 

CHACON FONSECA, Nathalie de Jesús, CONTRERAS, Rosa, MARQUEZ, Wilfredo et al. Importancia de la referencia médica en el diagnóstico de parasitosis intestinales por métodos coproparasitológicos. RFM, jun. 2007, vol.30, n.1, p.90-96. ISSN 0798-0469.

CIMERMAN, Sérgio; CIMERMAN, Benjamin. Enterobíase. REVISTA PANAMERICANA DE INFECTOLOGIA, Local, v.7, n. 3, Julho-setembro de 2005.

Enterobius vermicularis. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/para-site/Imagensatlas/Animalia/Enterobius%20vermicularis.htm> acesso em: 7 de nov. 2008

LAURENCE, Brunton; LAZO, John; PARKER, Keith. GOODMAN & GILMAN AS BASES FARMACOLÓGICAS DA TERAPÊUTICA. 11.ed. Rio de Janeiro: Mc Graw Hill,2006

NEVES, David; ODAIR, Genaro; LINARDI, Pedro. PARASITOLOGIA HUMANA. 10.ed. São Paulo: Atheneu, 2003.

 

REY, Luís. BASES DA PARASITOLOGIA MÉDICA. 2.ed.São Paulo: Guanabara Koogan, 2002.

 

REY, Luís. PARASITOS E DOENÇAS PARASITÁRIAS DO HOMEM NAS AMÉRICAS E NA ÁFRICA. 3.ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2001.

 

 

 



 

Comentários  

 
0 #4 adriel 22/02/2014 00:08
 
 
0 #3 roseane ferreira 11/09/2012 09:07
Fico agradecida pela sua capacidade e inteligencia e a forma simples de explicação ,com isso vc leva conhecimento a muitos que estão com duvida.parabens!!!
 
 
0 #2 rosiane silva santos 16/08/2012 09:04
Você muito me ajudou. Apesar de ja ter conhecimento em muitas áreas rever conceitos é muito importante, até porque você cita de forma detalhada.Parabéns pelo excelente trabalho.Pessoas que se importam com o conhecimento de outros.Sucesso!!
 
 
+2 #1 danielle 09/12/2011 11:17
:-)Essas dicas sao muito importantes na internet,princi palmente a receita dos remedios,quem nao mora no Brasil.Obrigado
 

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